Se soubesse que era só isso que precisava dizer. Esse debate já deu tantas voltas, com tantas opiniões diferentes sobre aspectos diferentes. 
O mais difícil seria quantificar como uma pessoa média (nem eu nem você nem ninguém que mapeia no OSM, seria mesmo um usuário desavisado qualquer) escolhe as suas vias (para carro, para bicicleta, para andar a pé, para passar de cadeira de rodas). Outra coisa que não está muito clara no OSM é que a classificação é preferencialmente relativa à fluidez do tráfego. Eu até acredito que originalmente esse tenha sido o critério, mas hoje nem tanto. “Para que serve a via?”, é a questão que deve ser respondida. Para os carros? Para os pedestres? Para oficiais do governo que estejam usando o OSM para planejamento urbano? O que importa prum usuário comum do OSM a respeito da via, sabendo que ele pode ser de qualquer desses tipos (e vários outros)?
Fora do Brasil, eu sei que eles tentam encontrar correspondentes desses conceitos abstratos na legislação local. A classificação das vias na Europa, por exemplo, segue a organização adminstrativa delas (“federal”, “regional”, “municial”, equivalentes às BRs, rodovias estaduais, etc. para “primária”, “secundária”, “terciária”) e as “living streets” são todas demarcadas com placas. Ou seja, os mapeadores não têm que julgar quase nada, só copiar a informação da fonte oficial ou da placa.
A nossa situação aqui é bem diferente. Faltam placas, faltam mapas oficiais. O julgamento acaba recaindo sobre nós, contribuidores do OSM. E como somos todos diferentes, temos noções de importância que são diferentes.
Por um lado, eu acho isso uma vantagem. Já notei alguns descontentamentos aqui e ali lá na comunidade européia quanto aos critérios que eles mesmos adotaram. No meio do debate sobre a classificação das vias, por exemplo, um alemão disse que há terciárias lá que estão em estado ruim (contradizendo algo que outro alemão tinha me dito). Enfim. O problema não é só aqui. Mas lá eles têm algumas coisas a mais em que se basear para evitar muitos confrontos. A nossa vantagem aqui é que não precisamos nos fixar em “status oficial” se ele não nos agrada. Se nos agrada mais usar as características físicas, então que seja. Se nos agrada mais a quantidade de tráfego, o nível de manutenção, ou a distância total em preferencial, enfim, podemos adotar o critério que quisermos.
A única coisa que eu não gostaria é que cada mapeador adotasse um critério diferente, daí o mapa viraria uma colcha de retalhos sem coerência. O melhor é chegar a um consenso, e aplicar o que decidimos juntos. E quem já acompanha a lista há um tempo sabe que eu voltei atrás na minha opinião pessoal várias vezes para me realinhar à opinião geral da comunidade.