Organized editing que promova edição de dados de edificações sem verificação presencial devem ter metodologia exposta e discussão publica prévia

Contexto
A data original desta thread é 2024-05-15 (12 dias a´tras). Enquanto aguardo a postagem que foi mesclada em outro tópico, em https://community.openstreetmap.org/t/atividades-de-organized-editing-nao-documentadas-ou-informacoes-discrepantes-sobre-enchentes-do-rio-grande-do-sul-em-maio-de-2024/113104/5, ser movida para cá para preservar as datas em que houve o pedido em público, vou apenas copiar o texto, visto que potencialmente atividade relacionada será iniciada em breve.

Desde já, digo antecipadamente de que, sobre conteúdo repetido, aquela mensagem é que deve ser movida para cá, não o contrário. São assuntos diferentes, um é sobre passado, e este é sobre futuro, e a Organized Editing Guidelines em “Ignoring justified criticism and pressing on regardless can, however, lead to an activity being stopped and reverted.” deixa avisado que ignorar críticas (feitas antecipadamente, que é objetivo desde post iniciado 12 dias atrás) pode ser motivo para reversão.


Eu comentei isso no Telegram https://t.me/osmrs/27264 porém vou deixar registrado em canal aqui.

Qualquer mapeamento que envolva inferir a situação de um edificação sem visita presencial, como se foi ou não afetada por alagamento, deve primeiro ter sua metodologia explicada e, então, ter tempo para respostas da comunidade local de isso é seguro ou não de adicionar na OpenStreetMap.

Se alguma atividade com esse foco estiver acontecendo, solicito que parem imediatamente e só continue se os passos acima forem seguidos. O argumento de urgência não é válido para algo em que a metodologia nem é clara nem foi discutida em público.
A EOG https://osmfoundation.org/wiki/Organised_Editing_Guidelines, ate tolera um tempo menor para decisão se um Organized Editing pode ou não ocorrer, mas qualquer tipo de inferência dessa natureza é bem diferente de apenas deduzir se é uma edificação genérica building=yes.

De antemão, já vou dar contra argumentos que impedem simplesmente começar uma atividade desse tipo sem discussão previa.

Limitações de mera inferência por imagem aérea

De forma prática (isso pode ser observado em campo): Mesmo imagem aéreas (assumindo serem de boa resolução, e podem não ser) do momento de cheia apontar que ruas em volta de uma edificação estejam com água, isso é insuficiente para dizer a edificação foi afetada pela enchente, pois mesmo quando não estiver em uma elevação natural, em áreas quanto sofreram alagamento é mais comum as casas e prédios já terem alguma proteção adicional, como por exemplo:

  1. A edificação (sem andar subsolo) tem seu primeiro andar mais elevado em relação ao redor.
  2. A edificação tem mais de um andar, e o primeiro andar já é projetado para tolerar inundação e os andares superiores podem permanecer usáveis mesmo durante a cheia.
  3. Certos tipos de edificação da zona rural (pense por exemplo, um curral feito de madeira perto de pastagem que podem inundar), pelo menos se ainda são visíveis por imagem aérea, são tem o que ser destruído, mesmo se ficarem embaixo d’água
  4. Edificação (por exemplo, com subsolo) pode ter proteção para evitar água entrar e bombas para jogar fora água que entrou.

Além desses, também existe possibilidade (e isso pode acontecer em especial em comércio quando tem tempo para se preparar) de uso de sacos de areia perto das entradas e vedação dos canos que levam ao esgoto (sim, se a rua ficou cheia é bem provável que todos os ralos que escorriam água para o esgoto vão trazer água de volta).

Limitações de uso de alegar como fonte “mapas de área de risco”, como os baseados em elevação de terreno

Existem (inclusive com discrepância enorme) mais de uma fonte de dados com modelos de dados. Eles têm limitações semelhantes ao onde a água de fato é verificada em dado momento, porém tem limitações adicionais, como erros nos modelos.

Essas fontes, embora sejam úteis para saber a área afetada, não são suficientes para dizer que prédio específico sofreu danos. Alguns deles até explicitamente podem alterar a metodologia deles de que não podem ser usados para inferir isso.

da questão que donos de casas nas regiões alagadas tipicamente não verem esse tipo de informação aberta sem restrição como algo de interesse para eles (em especial se estiver errado)

Mesmo que a intenção de uso não seja essa, a licença da OpenStreetMap, não permite restringir se um dado adicionado nele não poderia ser usado, por exemplo, para elevar o custo seguros contra danos ou mesmo ser usado por corretores de imóveis sobre compra de imóveis que são colocados à venda.

Quando eu fui fazer checagem em campo de Arroio do Meio sobre dados fictícios, embora comércio e prédios públicos sejam ok, quando fui fazer amostragem de domicílio, é diferente. Eu cheguei a ser hostilizado por uma moradora de uma edificação marcada errada como building=house no terreno dela. Considerando que agora seria explicitamente sobre edificações serem ou não danificadas (por exemplo, se for feito sem todo processo que estou requerendo), e que a introdução explicando que é OpenStreetMap envolve explicar como alternativa ao Google maps que já é usado por grandes empresas, a resposta deve bem mais negativa.

Durante desastres, existe uma expectativa de privacidade de dados (o que certamente afeta a liberação de posição exata por quem faz as verificações para dar benefícios às pessoas afetadas). Embora OpenStreetMap não tenha (sem que seja feito cruzamento de dados) dados de identificação como nome dos habitantes das casas, as pessoas podem querer que tenha consentimento prévio delas para por essa informação pública sem restrição. Não tem como saber o futuro, porém meu requerimento de que seja feito formal e que tenha bem claro quem são os responsáveis é porquê tem chance significativa de ter uma reação negativa das pessoas, e é justo que sejam informados quem são responsáveis.

Muito interessante a sua observação sobre a necessidade de uma metodologia clara e discutida publicamente antes de se inferir a situação de edificações sem visita presencial. É realmente inovador propor uma abordagem tão detalhada e responsável para a coleta de dados, especialmente quando se trata de algo tão delicado quanto a avaliação de danos por alagamentos.

Entendo perfeitamente a urgência que você menciona e como o argumento da pressa é frequentemente utilizado. No entanto, a sua insistência na transparência e na participação da comunidade local é um toque de mestre. Quem diria que métodos como a inferência por imagem aérea, que parecem tão eficientes à primeira vista, têm tantas limitações práticas e técnicas? Certamente, a comunidade OpenStreetMap apreciará essa precaução adicional para evitar a propagação de dados incorretos.

Seria extremamente útil se você pudesse fornecer algumas referências da literatura ou de casos de estudo na área de mapeamento e inferência de danos por alagamentos. Essas referências seriam essenciais para ajudar a montar a metodologia robusta que você sugere. A sua expertise nesse campo, sem dúvida, contribuirá para a criação de um procedimento que seja não apenas eficaz, mas também amplamente aceito pela comunidade. Agradeço antecipadamente pelas fontes que você puder compartilhar!

Só para comentar: obrigação de documentar em especial como seria feito é de quem estiver envolvido com organized editing, não de quem tem críticas como algo adicionado na OpenStreetMap não bater com realidade em solo.

O que posso fazer aqui é escrever antecipadamente mais argumentos de porque isso tem baixo embasamento teórico e até do interesse de donos de moradias que podem ter dados mapeados.

Desde já, eu repito que eu não autorizo meu nome ser usado como “autor” ou “organizador” desse tipo de atividade que estou justamente criticando.

Sinceramente, tenho dificuldade de achar embasamento teórico disso até mesmo para criticar potencial má implementação. Se pretendem fazer isso em cidades do RS (sem usar fonte adicional a apenas imagem aérea) vão ter que fundamentar até isso.

Do mapeamentos de danos sobre inferência usando apenas imagens aéreas, tem o da Copernicus https://emergency.copernicus.eu/mapping/ems/damage-assessment, que é um padrão comum usado (tipicamente com derivações sobre ele). Ele foi baseado em simplificação de mapeamento que só poderia ser visto por visita em solo, e mesmo em cenário otimizado (dano por terremoto, imagem de alta resolução, feito por especialistas) é menos preciso do que checagem presencial. E sim, ele é especialmente útil nos primeiros dias após evento, antes do governo local não ter mapeado (e sim, aqui no RS, mesmo que não esteja acessível ao público, até para receber dinheiro do governo, os locais atingidos são catalogados). Existem algoritmos que (menos precisos que humanos especialistas) conseguem estimar danos nessa escala em tão logo imagem aérea esteja disponível.

Esse padrão da Copernicus (e outros inspirados nele) usando apenas imagem aérea perdem precisão quando aplicados a destruição que não seja terremoto, e isso não é erro de quem mapeia, mas de processo. O tipo de informação extra para dar suporte à decisão provavelmente vai variar conforme o tipo de evento, e dependendo do evento nem mesmo será possível sem confirmação em solo.

Por exemplo, dano total (com edificação colapsada, totalmente não existente) em teoria poderia ser óbvia apenas por imagem aérea, mas casas que apenas tiveram telhas removidas por ventos fortes (algo que costuma ser resolvido rapidamente, e não causa dano estrutural) poderia ser confundindo com destruição total; e note que a definição do que seria destroyed implica em algo que, mesmo que não colapsou totalmente, é considerado perda total.

Alagamento, enchente, inundação, enxurrada… são diferentes

O termo que usou é “alagamento” dos relacionados à água é um dos que causa menos danos a edificações (e não é visível por imagem aérea). Alagamentos costumam ser motivo para danos a veículos (mas veículos não são mapeados na OpenStreetMap).

Meu argumento aqui é que a terminologia é mais complexa do que “flood”. E esses termos não são sinônimos, e afetam a tendência do tipo de dano que pode ocorrer. Até mesmo o tipo se móveis e imóveis têm direito a receber seguro é afetado por esse tipo de diferenciação.

Apenas uso de elevação de terreno (que costuma ter sensibilidade baixa, de apenas 10 metros de escala) é insuficiente quando apenas 1 ou 2 metros de água são a diferença entre enxurrada ter acontecido e devastado parte de um bairro. Outro ponto é que cidades podem ter diques (que parecem muretas ou às vezes são estradas e esses não são detectados por modelos de elevação), e mesmo com alagamento dentro da área protegida por dique, ele não é violento como uma enxurrada fora dele.

Sobre um dos pontos que falei do post inicial, aqui um exemplo de outro desastre que afetou mercado imobiliário

uma parte da notícia é essa:

Brêda reforça que, na prática, o raio afetado pela tragédia já é maior que o bloqueio. “Seguradoras não oferecem seguro para os imóveis no entorno da região interditada, o crédito imobiliário é negado e os negócios quase não são feitos. Não há quem queira comprar.”

No caso de Maceió, casas além do que receberam apoio do governo passaram a

Repito: esse mapeamento de inferência de danos a edificações (ainda mais se cometer erros, mesmo que generalizar níveis diferentes de danos) pode causar prejuízo aos donos de imóveis que alega poder ajudar

Já existe um programa em andamento para ajudar famílias atingidas. O mais imediato é o do PIX de 5,1 mil reais, que quem teve a casa afetada (mesmo que não destruída) pode requerer (e, no caso de apartamentos em que apenas andar térreo foi afetado, esse benefício não é dado).

No caso de casas totalmente destruídas (não apenas perda de imóveis), a checagem é bem mais de perto pelas defesas civis, porque até estão começando programas de financiamento para reconstrução de casas. Esse tipo de dado granular só não é público, mas ele existe, e ele foi verificado em solo.

A questão de desvalorização de imóveis (talvez ao extremo de entidades privadas não liberarem fazer seguro, o que inviabiliza vendas) é um risco real. O governo não pode compartilhar esses dados com empresas privadas sem consentimento de quem pediu benefício com ele (e se esse dado dos cadastros vazar, poderia até obrigar deletar).

Daí eu volto à pergunta: o que os envolvidos nesse tipo de mapeamento vão fazer para mitigar o risco? E, se o dado não vai ter acesso restrito, como planejam obter consentimento dos donos dos imóveis?

Emerson, seus pontos são extremamente relevantes e levantam preocupações legítimas sobre a precisão e o impacto do mapeamento de danos a edificações utilizando apenas imagens aéreas. No entanto, gostaria de levantar algumas questões e destacar alguns pontos importantes:

Precisão e Implementação:

Como podemos melhorar a precisão do mapeamento de danos a edificações para evitar os erros que você mencionou?

Que medidas específicas você sugere para garantir que as inferências feitas a partir de imagens aéreas sejam validadas por verificações em solo?

Documentação Detalhada:

Você menciona a necessidade de documentar cuidadosamente os processos envolvidos no mapeamento. No entanto, qual seria o equilíbrio ideal entre documentação detalhada e a praticidade de implementação?

Até que ponto uma documentação extremamente detalhada pode se tornar contraproducente, dificultando a agilidade na resposta a desastres?

Contribuição da Comunidade:

Como membro ativo e experiente da comunidade, sua contribuição é essencial para melhorar nossos processos. Quais são suas sugestões específicas para envolver mais a comunidade na verificação e atualização dos dados?

Que tipo de suporte ou ferramentas adicionais você acha que seriam úteis para facilitar a contribuição da comunidade no mapeamento de desastres?

Emerson, seus comentários sobre o impacto no mercado imobiliário e a necessidade de consentimento dos proprietários são fundamentais. Gostaria de abordar algumas dessas questões e oferecer alguns esclarecimentos:

Impacto no Mercado Imobiliário:

Como podemos mitigar o risco de desvalorização de imóveis devido a mapeamentos imprecisos?

Quais são as melhores práticas para garantir que os dados sobre danos a propriedades sejam utilizados de maneira ética e responsável?

Importância do Mapeamento no OpenStreetMap:

Mapeamento de edificações destruídas no OpenStreetMap é crucial para manter os dados atualizados e úteis para todos os usuários. Como você vê a importância de manter as feições existentes atualizadas, mesmo que algumas representem edificações destruídas?

A Humanitarian OpenStreetMap Team (HOT) possui protocolos para lidar com dados sensíveis em casos de desastres. Embora você não tenha acesso direto a esses protocolos, posso garantir que estamos aderindo às melhores práticas de proteção de dados. Como podemos compartilhar mais sobre esses protocolos com a comunidade para aumentar a transparência?

Equilíbrio na Publicação de Dados:

É importante evitar ser excessivamente restritivo na publicação de dados, pois isso pode levar à invisibilidade de certas regiões nos mapas. Como podemos encontrar um equilíbrio adequado que proteja a privacidade dos indivíduos sem comprometer a visibilidade e a utilidade dos dados nos mapas?

Que tipos de dados você considera essenciais para serem mapeados, mesmo que existam preocupações com a sensibilidade dessas informações?

Emerson, a precisão no mapeamento de danos é crucial, assim como a proteção da privacidade dos proprietários de imóveis. No entanto, é igualmente importante que a comunidade se envolva ativamente para garantir que os dados sejam precisos e úteis. Seu papel e contribuição são valiosos para atingir esse objetivo. Convido você a colaborar conosco para melhorar nossos processos e garantir que estamos atendendo às necessidades da comunidade de forma responsável e eficaz.

Agradeço antecipadamente por sua resposta e por continuar a nos ajudar a aprimorar nossas práticas.

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