As regiões metropolitanas (RMs) estão mapeadas como boundary=administrative + admin_level=6. Essa combinação normalmente é usada para representar uma hierarquia de divisões administrativas, na qual as unidades de um mesmo nível formam uma partição do território. No entanto, essa premissa parece não ser válida em três casos atualmente:
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RM do Norte/Nordeste Catarinense (LCE 523/2010): parece coexistir com as novas RMs de Joinville, Jaraguá do Sul e Planalto Norte (LCE 788/2021). Não encontrei uma lei revogando a RM mais antiga, e o IBGE mantém as quatro simultaneamente em sua planilha anual de recortes metropolitanos. Ao mesmo tempo, a Wikipédia descreve há anos que a RM do Norte-Nordeste Catarinense foi desmembrada nas outras três, e encontrei um artigo acadêmico que afirma o mesmo numa nota de rodapé (pág. 281).
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Dona Inês, Paraíba: parece estar incluído simultaneamente nas RMs de Araruna (LCE 119/2013) e de Guarabira (LCE 138/2016). Por outro lado, o IBGE e a LM 941/2022 de Dona Inês (diagnóstico, pág. 20) indicam que o município estaria apenas na RM de Araruna.
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Catingueira, Paraíba: parece estar incluído tanto na RM de Patos (LCE 103/2011) quanto na RM do Vale do Piancó (LCE 109/2012). Comunicados da prefeitura citam que o município pertence a uma ou outra RM ao longo do tempo, mas não parecem supor que está em ambas.
Essas aparentes sobreposições talvez resultem de mudanças legislativas ou de interpretações divergentes, mas também sugerem que não é seguro assumir que essa categoria seja formada por partições territoriais estritas.
Além disso, duas RMs se sobrepõem com Regiões Integradas de Desenvolvimento (RIDEs):
- RM do Entorno do Distrito Federal: totalmente incluída na RIDE do Distrito Federal e Entorno
- RM da Zona Leste Maranhense: compartilha o município de Timon com a RIDE da Grande Teresina
Não encontrei situações semelhantes em outros países. Na França e na Espanha, boundary=local_authority é usado para EPCIs (cujos limites não se sobrepõem) e mancomunidades (que seguem regras semelhantes às francesas). Na Alemanha, há uma discussão sobre como representar estruturas intermunicipais (Gemeindeverwaltungsverbände), na qual um participante menciona como alternativa o uso de boundary=local_authority, sem admin_level, mas sem conclusão. Nos EUA, a documentação de admin_level distingue governos de finalidade geral (county/township/municipality → boundary=administrative) de governos de finalidade específica (special districts, school districts, sem consenso sobre representá-los como boundary=administrative + admin_level). A própria documentação também distingue níveis territoriais que preenchem todo o território de níveis com lacunas e registra a preferência por não sobrepor limites no mesmo nível (em particular, no nível admin_level=8). Isso mostra que a questão da sobreposição de limites no mesmo nível também aparece em outros contextos. Há uma discussão recente e não resolvida sobre como tratar entidades como special taxing districts e community services districts, que em alguns casos exercem funções públicas (água, esgoto, estradas, até policiamento), apesar de não serem municípios. As alternativas discutidas incluem boundary=local_authority ou um novo valor (boundary=services_district), alguns participantes defendem boundary=administrative com um border_type específico, sem consenso até o momento.
As RMs brasileiras também não parecem ser uma categoria homogênea quanto ao grau de institucionalização. Algumas exercem funções efetivas de gestão interfederativa (orçamento, planejamento integrado, coordenação de serviços públicos), o que parece difícil de conciliar com a ideia de boundary=statistical e as aproxima, de certa forma, do papel de EPCIs e mancomunidades, enquanto outras têm pouca atuação prática. Não me parece desejável usar o grau de institucionalização como critério para decidir como mapear cada uma: todas são entidades formalmente instituídas com a finalidade de desenvolver gestão efetiva.
Algumas fontes interessantes para avaliar esse aspecto:
- Ipea, 40 anos de regiões metropolitanas no Brasil (2013), Quadro A.8: classifica comparativamente o grau de institucionalização/governança das principais RMs, mostrando que não é uma categoria uniforme; em 2013, havia RMs com estrutura de gestão consolidada e RMs que eram pouco mais que apenas um nome no papel.
- Os Relatórios de Diagnóstico do Estudo Nacional de Mobilidade Urbana (BNDES/Ministério das Cidades, 2024-2026), nas seções de Aspectos Institucionais (4.1.1) e indicadores de coordenação interfederativa (4.2), dão um retrato mais recente. Em Manaus, por exemplo, o relatório registra que não há “efetiva atuação interfederativa por meio de qualquer instituição” e que Estado e município atuam “de forma descoordenada” (Vol. 1, 2025, págs. 122-123, 128-130). Já em Curitiba, a AMEP “coordena o transporte coletivo nos 19 municípios” da RM, com nível máximo no indicador de coordenação interfederativa do transporte (Vol. 1, 2025, págs. 167, 175-177). As demais RMs analisadas (Belém, Porto Alegre, São Luís, Natal, Goiânia) ficam em posições intermediárias, sem um padrão único.
Então, uma possibilidade interessante que me parece uma aproximação conceitual seria migrar RMs de admin_level=6 para boundary=local_authority e local_authority:BR=RM, removendo admin_level.
O que vocês acham? Têm outras sugestões para representar esse tipo de entidade?