Eu sou de Leopoldina-MG, e nos últimos meses os topógrafos e demais profissionais de georreferenciamento estão transtornados devido às estradas que se alegam públicas em mapas antigos, porém na legenda aparece “em obras de implantação”. Em ligação com o DER-MG, órgão que ajudou a Prefeitura de Leopoldina-MG a fazer tal mapa, eles afirmam que várias demarcações antigas não chegaram a ser concluídas. Eu quero a ajuda da comunidade para resolver isso, pois o transtorno está gigante. As estradas são vicinais e foram mapeadas antigamente, porém a realidade hoje é outra, e os produtores estão buscando a desafetação dessas vias por erros do passado. O excesso de vias em Leopoldina mostra como o poder público foi negligente, pois quanto mais vias mapeadas, mais recursos eram recebidos por elas, e as mesmas continuam em leito natural e sem manutenção. Já se passaram 28 anos desde o último mapeamento, e várias dessas vias hoje estão em áreas de pasto, em matas fechadas, e os atuais proprietários fizeram porteiras nas estradas que eles mesmos mantêm, sendo utilizadas apenas pelos próprios proprietários. Qual dica poderiam me passar? E se uma via pública não cumpre com o papel social das mesmas, o que fazer?
Olá João. O OpenStreetMap não decide se uma via deveria continuar sendo pública, ele apenas representa o que pode ser verificado. Além disso, nós só conseguimos corrigir os dados do próprio OSM, não temos controle sobre outros mapas. Porém, melhorias nos dados do OSM muitas vezes acabam sendo refletidas por outros mapas depois de algum tempo.
A desafetação é um processo administrativo e jurídico fora do escopo do OSM. O que pode ser feito no OSM é atualizar o mapa após uma desafetação oficial, refletindo essa mudança. A via deve ser representada como pública no OSM se constar como pública nas fontes oficiais mais recentes, com duas exceções: se existirem leis ou normas posteriores estabelecendo que deixou de ser pública, ou se houver barreira ou sinalização no local indicando que não é pública.
Se a estrada ainda existe mas o acesso está restrito por porteira, cerca ou sinalização, podem ser usadas etiquetas da família access. Alguns casos comuns:
access=privatepara as vias particulares;motor_vehicle=no+foot=yesem vias públicas onde veículos não podem passar mas pedestres podem;motor_vehicle=private+foot=permissiveem vias particulares onde o proprietário permite a passagem de pedestres.
Para maior clareza, também é interessante mapear as barreiras físicas com a etiqueta barrier: barrier=gate no ponto onde há porteira ou portão e barrier=fence numa linha separada indicando o traçado de uma cerca.
Se a estrada deixou de ser pública oficialmente mas não há barreiras nem sinalização indicativa, use access=private + source:access=Lei [número da lei] ou o qualificador adequado (decreto, norma, portaria, ato, etc.). Nesse caso, source:access é muito importante para que outros mapeadores possam verificar que o valor da etiqueta access está correto.
Se a via existe, é pública mas está em más condições, use etiquetas como surface e smoothness para descrever a situação. Se a vegetação bloqueia a passagem, use também obstacle=vegetation e considere se highway=track se aplica - quando a via deixou de ser usada como via de passagem geral e passou a servir apenas para acesso ao interior de uma floresta (normalmente com acesso restrito) ou de lavouras em propriedades rurais.
Se a via praticamente desapareceu mas ainda consta em fontes oficiais, é minimamente reconhecível em campo ou ainda é visível em imagens de satélite, podem ser usados os prefixos de ciclo de vida, por exemplo, abandoned:highway=unclassified ao invés de highway=unclassified. Isso remove a via do roteamento e do mapa principal, mas preserva a informação histórica por algum tempo para outros mapeadores verificarem e entenderem o que aconteceu recentemente.
Obrigado pela resposta, então eu posso colocar esses dados no OSM, todas as estradas que constam no mapa oficial, mas estão em processo de abandono e descaracterização eu poderia fazer estudo in loco e enviar os dados para analisarem? Usando abandoned:highway=unclassified.
Contanto que você siga os princípios que eu citei, pode sim. É importante notar que smoothness=very_horrible admite um grau bastante severo de deterioração sem que isso determine o uso de abandoned:highway. Também é importante notar que, se a via ainda for utilizável por alguém (por pedestres por exemplo), o ideal nesse caso não é usar abandoned:highway e sim mudar o seu tipo para highway=path. Nesse estágio em que a via está desaparecendo, faz sentido também usar trail_visibility. Se ela continuar se deteriorando ao ponto de não servir nem para pedestres mais, é aí que abandoned:highway pode se aplicar.
Exemplos de vias deterioradas que ainda não são consideradas abadonadas no OSM:
smoothness=very_horrible:trail_visibility=good, mapeada comohighway=path:
obstacle=vegetation, mapeada comohighway=path:
obstacle=fallen_trees, mapeada comohighway=path:
Vias em situação pior podem ser consideradas abandonadas. Vias em situação não tão ruim devem ser descritas em detalhe e, em alguns casos, sua classificação pode mudar (geralmente para path) indicando que na prática não têm mais a função de via pública para veículos.
Seria bem interessante você compartilhar fotos obtidas no local nas vias que você pretende alterar no mapa, daí podemos ajudar você a decidir qual é a melhor representação para elas no OSM.
Nesse caso onde está com tomado por mato, seria obstacle=vegetation ou abandoned:highway=unclassified por que ela está nos registros oficiais, porém abandonada a mais de 20 anos.
Pela sua foto, eu tenderia a mapear como abandoned:highway=unclassified, exceto se ainda for um caminho usado por pedestres, daí eu colocaria highway=path + surface=grass + obstacle=vegetation.
Pela imagem do satélite, me parece que essa via tem 5 trechos distintos (sinal de precisamos de mais fotos ao longo da via para julgá-la corretamente). A parte do meio, em magenta na imagem abaixo, seria a que eu mapearia abandoned:highway=unclassified, com base na sua foto e no que eu consigo ver na imagem de satélite:
Um pouco a oeste, há um trecho (linha verde tracejada) que parece possível para pedestres e que parece estar bem visível na imagem aérea, acho que nesse trecho o ideal seria highway=path ou, se possível para tratores, highway=track. Ele começa numa edificação que talvez seja parte de uma residência rural, e a via que leva até essa residência vindo BR-120 mais à oeste parece estar em condições relativamente boas. Esse outro trecho, ligado diretamente na BR, eu manteria como highway=unclassified.
Do lado leste, parece que temos uma situação similar. Vindo da LPD-040, primeiro essa estrada passa por algumas residências, nesse trecho inicial eu manteria highway=unclassified. Depois fica menos claro pra mim: um ramo que segue pro sul já está mapeado como highway=track, então faria sentido que a estrada que vai até ele desde a última residência seja highway=track também, caso esteja em condições mínimas, por exemplo, para um trator indo para a floresta ou a lavoura logo adiante nessa direção.
Importante: verifique se algum dos trechos é particular. Parece que no lado oeste tem uma porteira. Se for esse o caso, eu mudaria esse lado para highway=service + access=private e também colocaria access=private no trecho onde acho que seria highway=path. O mesmo vale para o lado leste se tiver porteira ou cerca, sinal de que que a via passou a ser particular.
Todos os trechos são particulares, porém aparecem no plano rodoviário municipal. Em média metade das estradas registradas no plano rodoviário na realidade tem porteiras e não é permitido passagem de pessoas. Mas no OSM aparecem como sem classificação e mapeadas por siglas LPD de Leopoldina, corretamente de acordo com o mapa, porém não seguem a realidade estando nos resgistros, mas não cumprindo com o bem social.
Nas que têm porteira, cerca, placa indicando que é particular, ou documentação oficial comprovando que deixaram de ser públicas, adicione access=private e mude highway para highway=service (no trecho até os edifícios principais da propriedade ruraL), highway=track (nas vias de acesso ao interior de lavouras ou florestas com veículos motorizados), highway=path (nas vias utilizáveis por pedestres mas não por veículos motorizados) ou abandoned:highway=unclassified (se a via tiver um rastro tênue na imagem de satélite ou presencialmente mas não é mais utilizada por ninguém) conforme o caso.
Naquelas onde não se tem indício verificável de que deixou de ser pública nem sinais claros de abandono total, deixe como highway=unclassified mesmo, presumimos que continuam sendo públicas e utilizáveis.
O que não pode: supor que todas são particulares sem ter fonte confirmando isso e sair alterando o mapa sem verificar cada caso.
Contei 84 trechos de vias com o código “LPD” em Leopoldina que já estão classificadas como path, 138 mapeadas como track e 13 como service. Então, parece que esse trabalho já foi feito em parte. A maioria foi classificada assim pelo @vitorrdias por volta de 2019 com base em dados do DER-MG.
Já as mapeadas como unclassified são 505 e formam a quase totalidade das estradas rurais municipais. Identificar quais delas são públicas e quais não são enriqueceria muito o mapa do município, enquanto mapeá-las como particulares sem verificação caso a caso prejudicaria muito os usuários que precisam navegar pela área rural do município.
Esse trabalho de classificação que eu fiz foi baseado unicamente nas imagens de satélite, e não nos documentos oficiais. Eles não diferenciam estradas públicas e particulares.
Sim foi ele que mapeou, entrei em contato com ele e já obtive as respostas necessárias, ele me ajudou muito. Agradeço a todos pelo suporte, as próximas etapas serão feitas por meio administrativo junto a prefeitura e ao DER-MG.







