Vou começar com a minha opinião (que não é representativa da comunidade como um todo).
Talvez o caso sinalizado (ou seja, obrigado pela lei) que mais se assemelhe é o que ocorre com frequência no entorno de escolas e hospitais, onde às vezes há lombadas e placas indicando velocidade reduzida. Contudo, nesses casos, o trecho normalmente é curto e não há porque alterar a classificação. Outra parecida é onde há placas de alerta indicando que há crianças brincando. Mas em ambos os casos, são só avisos e não um direito legal dos pedestres usarem a via.
Há alguns outros casos em que certas características (que ocorrem por trechos longos) aproximam a situação desse conceito, embora nunca totalmente. A característica que mais difere é a ausência de meio-fio.
Fatores que causam redução na velocidade dos veículos, mesmo quando não há placas, incluem a presença frequente de pedestres e a frequente falta de espaço para manobrar (por exemplo, caso haja um veículo enguiçado ou mal estacionado, por hábito mesmo). Um fator que força os pedestres a adentrar o espaço dos carros é a falta de calçadas com largura adequada.
Com frequência essas características se verificam em lugares sem planejamento urbano adequado, como no interior de favelas, mas também em lugares planejados para ter pouco tráfego, como certas regiões residenciais. Além do planejamento urbano precário, o trânsito (seja de carro ou de bicicleta) é complicado por essas vias. Como essas vias geralmente são estreitas, andar a pé também parece diferente, em parte pela visibilidade reduzida, e em parte porque as pessoas costumam andar na própria pista (e pelo meio dela, por longas distâncias, não junto ao meio-fio como em outras vias maiores). Andam (ilegalmente) pela pista então, um espaço que seria destinado para os carros a princípio.
Alguns exemplos na minha cidade: o bairro Farrapos (ex-vila), as vilas do Bom Jesus (a região mais carente da cidade), a antiga vila CEFER (também uma ex-vila).
Atualmente, a classificação das living streets em Porto Alegre seguiu este método, mas precisa ser refeita. Baseado nas opiniões dessa discussão, é muito provável que a nova classificação siga esta combinação feita com outro mapeador local (Augusto Stoffel / Papibaquígrafo):
Ainda assim, pode ser que living street não seja exatamente aquilo que queremos representar e sim que precisamos de uma nova classificação para esse tipo de via. O objetivo desse post é abrir o espaço para discussão.