Onde há sinalização de limite de velocidade, ele deve ser mapeado conforme indicado na sinalização. Na ausência dela, é possível mapear limites implícitos, o que, com raras exceções, geralmente envolve interpretar o contexto: reconhecer a função da via e, em alguns casos, considerar a sinalização esparsa em vias semelhantes do mesmo município.
Em alguns municípios pouco populosos, tenho observado pouquíssima sinalização de limite de velocidade, e as poucas placas existentes indicam velocidades baixas em vias urbanas principais (geralmente arteriais): 50 km/h com frequência em cidades de médio porte, e 40 km/h com frequência em cidades menores. Nesses casos, é comum interpretar que esse limite também se aplica às demais vias principais não sinalizadas do mesmo município e, na ausência de fonte oficial ou de sinalização que indique a função das vias, não me parece adequado presumir o limite de 60 km/h previsto pelo CTB para vias arteriais. Nesses casos, mapear um limite implícito baseado no contexto se aproxima mais da realidade local do que o valor padrão inferido pelas aplicações. Faço isso acompanhado de source:maxspeed=implicit, deixando claro tratar-se de uma interpretação do contexto e não de um dado oficial. Vale notar que identificar a função de uma via nem sempre é trivial, pois exige avaliar um amplo conjunto de fatores. Também vale notar que tal tipo de generalização só deve ocorrer após uma busca ampla pelas placas existentes nas vias do município, e não a partir de poucas observações em pontos isolados.
Ao mesmo tempo, já vi mapeadores de diferentes estados extrapolarem essa generalização atribuindo maxspeed=40 a quase todas as vias, inclusive as vias urbanas locais (highway=residential e highway=unclassified). Essa extrapolação não tem base no art. 61, §1º do CTB, que estabelece 30 km/h como limite padrão para vias locais na ausência de sinalização. Assim, quando alguém opta por mapear limites implícitos nas vias locais, me parece que o valor juridicamente mais consistente seria 30 km/h, e não 40 km/h, mesmo onde estiver implícito que é 40 km/h nas vias principais.
Não priorizo mapear maxspeed nas vias locais quando não há sinalização porque a velocidade efetiva nelas costuma ser bem inferior ao próprio limite legal de 30 km/h, devido às paradas frequentes em cruzamentos sem preferência, reduções frequentes devido ao tráfego de acesso local (entrando e saindo das propriedades), e, muitas vezes, à infraestrutura mais simples. Assim, mapear maxspeed=30 nelas nem sempre melhora a qualidade das rotas calculadas. Ao mesmo tempo, onde já está mapeado com 30 km/h, também não removo, porque o modelo do OSM permite o mapeamento de limites implícitos.
Independentemente da posição de cada um sobre mapear ou não limites implícitos nas vias locais, podemos concordar que um limite implícito de 40 km/h nas vias principais, por si só, não justifica atribuir o mesmo valor às vias locais sem sinalização?