Boa noite,
Há um ou dois anos atrás, que fiz uma longa explicação no canal do Telegram da comunidade sobre um problema recorrente das divisas municipais: expliquei com um monte de exemplos, prints, comparações e problemas. (Fora uma live que fiz com a comunidade no SOTM 2023)
O OpenStreetMap no Brasil possuía divisas muito imprecisas, horríveis, de um import antigo, talvez de 2015, muitas vezes desconectadas dos elementos notáveis da geografia (hidrografia, serra, pico, divisor de águas etc.) que são citados nas leis que definem divisas municipais, as Leis Territoriais de cada estado.
(Abaixo exemplo de divisa do OSM de um import e a divisa real. Corrigido posteriormente)
(Exemplo de divisa separada dos elementos notáveis antes da correção)
Um antes-e-depois da correção:
O que acontecia era o seguinte: eu fazia o trabalho de pesquisar leis, buscar mapas, abrir cartas topográficas em escala de maior precisão, redesenhar manualmente as divisas horríveis conforme a legislação territorial, unia a divisa com hidrografias conforme a lei, detalhava divisor de águas, transferia as relações para os novos elementos detalhados, tudo isso JOSM… para então alguém fazer um import de um shapefile do IBGE com divisas de menor precisão.
(EDIT: Muitas destas divisas foram corrigidas a pedido do Sturm da Wikipedia: lista em User:Sturm - OpenStreetMap Wiki )
Era trabalho perdido meu e da pessoa que fazia isso. Aconteceu uma, duas, três, quatro vezes…
E acho que ainda continua acontecendo (uma edição de poucos dias onde eu tinha editado em c.2018).
A Lei do Quatro Territorial do Estado de São Paulo diz:
a) Divisas Municipais de Sorocaba
1 - Com o Município de Araçoiaba da Serra
Começa no divisor Pirapora-Lajeado, no ponto de cruzamento com o contraforte entre as águas do rio Ipanema, à direita e as do ribeirão do Lajeado, à esquerda; prossegue por êste contraforte até a confluência destes dois cursos de água; desce pelo rio Ipanema (imagem 1 e 2), até a foz do córrego Araçoiaba (imagem 1).
(Já que Telegram, como tudo relacionado a redes sociais, é péssimo para preserver memória:) Explico mais uma vez, IBGE não tem autoridade para criar e definir divisa de município! Constitucionalmente, são Estados e a União (no caso dos Territórios Federais) através de Lei Estadual (No estado de São Paulo, é a Lei Territorial). O IBGE simplesmente lê estas leis e aplica nos seus mapas de baixa precisão. É um órgão assessor, assim como IGC-SP, etc.
Já expliquei que os mapas dos IBGE possuem baixa precisão (EDIT: corrigi). Eles são baseados em mapas de papel na escala 1:50.000 a 1:150.000 feitos de 1980 a 2000 que eles digitalizaram no MicroStation e talvez agora num editor GIS moderno. A hidrografia e vias destes mapas possuem vários graus de generalização cartográfica, ou seja, há várias graus de simplificação do traçado dos elementos para ficarem legíveis em mapas de grande escala. Por exemplo: Aquele rio ou córrego todo suave num mapa na escala 1:50.000 é todo cheio de curvas na escala 1:1000.
O IBGE é um ótimo órgão de estatística. Os mapas deles não são ruins. São mapas bons para fazer censo, mas não são precisos como o 1:1 do OSM. Só agora estão “afinando” a escala de seus mapas.
O mapa, assim como o arquivo shapefile/geojson, são instrumentos que descrevem de forma aproximada a realidade da superfície do solo. Não são a realidade; mesmo que você pegou do órgão oficial XYZ.
A foto aérea é o mais próximo do que está na realidade. Nós temos ferramentas para sermos mais precisos que o IBGE.
Não confiem totalmente no shapefile ou no mapa. Tecnologia não é oráculo que revela a realidade. Se você vai usar material, não use de forma acrítica, certifique-se que ele vai melhorar precisão e não desfazer uma divisa mais precisa.
Se uma Lei Territorial diz que a divisa de um município passa pelo Córrego X, tal divisa passa pelo Córrego X, e não onde o shapefile diz que é.
Podemos fazer mapas na escala 1:1 graças à tecnologia GIS e as fotos aéreas.
Quem faz import às cegas é Google Maps, cujas divisas e traçados de rios não respeitam nem a foto aérea. As divisas deles saem comendo outros territórios e eles nem ligam porque o objetivo deles é publicidade e data-mining; não é geografia.
Desculpem-me se eu soei como que dando carteirada, mas falo isso como urbanista, com pós em Território e Gestão de Cidades e formação em geoinformação. Não estou falando isso da minha cabeça ou por preciosismo meu.
Então antes de fazer um import, primeiro verifique se as divisas já estão mais detalhadas antes de substitui-las por polígonos mais simples ou que divirjam ou duplique com hidrografia.
Abraços a todos










